terça-feira, 31 de março de 2015

Um céu rosa e um rosa céu

Um céu rosa, um rosa céu e meia dúzia de palavras.
Dizes-me como eu gosto de palavras. E eu digo-te como gosto de nuvens cor-de-rosa, nuvens de algodão doce, nuvens pintadas por mãos bonitas e hábeis. Gosto de nuvens brancas e cor-de-rosa. Gosto nuvens de algodão doce mas não gosto de algodão doce sem nuvens. Mas gosto mais de ti, gosto mais de ti do que de nuvens de algodão doce. E também gosto desta equação das nuvens.
Agora, já podemos ir dançar nas nuvens?




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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

um poema e delicadezas

Nos dias feios deveríamos ler poemas bonitos, olhar delicadamente as delicadezas, escutar o silêncio ou a nossa voz preferida. E talvez com um resquício de sorte, os dias feios fiquem um bocadinho menos feios.



Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decora-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...

um poema, Miguel Torga



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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

a rua das Flores

O Porto é sempre encantador. É um facto consumado, tal como a certeza de que o amor é vida, um pôr-do-sol é sempre especial e os abraços são a melhor coisa deste mundo. O Porto é, sem qualquer dúvida, um encanto em forma de gente, de cor, de sons, de cantos e recantos.
Da última vez, num fim-de-semana de amigas e música, fomos parar à Rua das Flores. Mesmo no centro histórico, esta rua com um nome bonito e recentemente requalificada é o lugar para se estar, só porque sim. As lojas são bonitas e tradicionais, as caixas da electricidade falam connosco, há livrarias deliciosas, encontram os horários dos comboios para o Paraíso e até há livros no céu. E se há livros no céu, como é que uma rua não poderia ser bonita?



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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

e se?

E se os teus braços são os meus braços?
E se os meu braços são os teus braços?


Esqueçamos a retórica. Os braços das árvores são tão mais simples.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

tens mais medo do amor ou de aranhas?

 (uma conversa sobre aranhas, uma simples conversa sobre aranhas...)


- Sim, mas o medo é uma coisa irracional. Não sabes bem explicar, só sentes... É um bocado como o amor.
- Tens mais medo do amor ou de aranhas?
- Tenho mais medo de tudo, do que do amor. Tenho muito medo da falta de amor! Acho que é do que tenho mais medo.
- E se o amor te magoa mais do que a falta dele?
- Se o vivi, valeu a pena. E nunca nada te pode magoar mais do que o facto de não teres tentado. Mesmo que seja por um segundo, valeu a pena.
- Certo. Disseste a resposta certa. E é por isso que gosto de ti.


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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

trezentos e sessenta e cinco dias

Trezentos e sessenta e e cinco dias.
Passaram trezentos e sessenta e cinco dias diz o calendário, perdemos um equinócio, perdemos um solstício, perdemos tantas luas, perdemos uma primavera de abraços e um outono de mimos, perdemos tanto. Tu sabes que perdemos demais.
Passaram trezentos e sessenta e cinco dias e eu sei-os todos de cor. Ainda te sei de cor e vou sempre saber. Vou sempre sentir o teu cheiro doce, vou sempre ouvir em mim a tua gargalhada inesperada, vou fechar os olhos e ver a fotografia perfeita das tuas mãos.
Passaram trezentos e sesseta e cinco dias. Tenho saudades de te sentir, daquelas saudades impossíveis que achei, inocentemente, não existirem.
Existem, sabes? São as minhas saudades tuas de hoje, amanhã, depois e depois.

Trezentos e sessenta e cinco dias e saudades impossíveis. É isto.




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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

[ 6 on 6 ] inverno

  seis miúdas bonitas, seis fotografias, seis países...


Sejamos sinceros, sejamos todos sinceros. Não gosto do inverno.
Sou dos tempos quentes e do chinelo no pé, sou das esplanadas ao fim da tarde e dos mergulhos no mar, sou do sol e nunca das nuvens.
Ainda assim moro muito longe do verão, "nove meses de inverno, três meses de inferno" é o que se diz por aqui e se a minha avó dizia, devemos areditar.
Tenho o inverno demasiadas vezes à porta para morrer de amores, para ter saudades ou sei lá, apetecer-me dar-lhe um abraço. Não, não me apetece abraçar o inverno mas rendo-me, rendo-me completamente a um céu estrelado de janeiro, a uma manta, um livro e uma chávena de chá a fumegar, ao conforto do sofá e da lareira, aos rosas e vermelhos de um fim de tarde, a uma manhã de neve e uma noite em conchinha. O inverno e os pequenos prazeres, nada mais simples, nada mais fácil. E junho, quando é mesmo?



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 As invernias da Taís (Irlanda), Lolla (Inglaterra), 
Paula (Holanda) e Sarah (Noruega).

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

sejam felizes

Sem balanços, sem quantificações desprovidas de significado, sem saudade, sem qualquer emoção, despeço-me de dois mil e catorze. Sem olhar para trás e é tão bom não olhar para trás!
Sejam felizes em dois mil e quinze! Usem e abusem do amor, dos beijos e dos abraços, digam às vossas pessoas preferidas que gostam delas, dancem ao som vossa música preferida, dancem sozinhos ou de mãos dadas, mas dancem, dancem muito. Esqueçam os queixumes, esqueçam o mundo três vezes por semana, agarrem os livros, um pôr-do-sol, há poucas coisas melhores que isto. Saltem da vossa zona de conforto, falem com um estranho todos os dias, surpreendam-se com a quantidade de pessoas interessantes que há por aí, conheçam mundos novos, procurem uma nova cor e um novo cheiro. Chorem, riam, façam xixi de tanto rir, não tenham medo, todas as escolhas têm cinquenta por cento de hipótese de dar certo. Mudem a vossa vida, ou não, não mudem a vossa vida, façam o que quiserem mas sejam felizes em dois mil e quinze, sejam muito felizes.


Um grande beijo. Um novo ano bem bonito!



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[ 6 on 6 ] Natal

 seis miúdas bonitas, seis fotografias, seis países...


Quase um mês depois, perdoem-me o enorme atraso deste 6on6 de dezembro. Como sempre dizem mais vale tarde do que nunca, clichés dos clichés, finalmente aconteceu.
O tema deste mês não podia deixar de ser o Natal e logo este que teve tanto de estranho como de especial.
Confesso que este ano, logo em novembro, já estava cansada do Natal, das luzes, das feiras, da corrida desenfreada às prendas que não podemos pagar mas que continuamos a insistir porque é Natal. Tive muito medo deste Natal, um medo terrível e frio daquele que nos faz querer atrasar o calendário ou pular os dias até deixarmos de ter medo. E frio.
O dia 23 chegou, dia de avental lá em casa, de bolos, de receitas, tudo o que me faz lembrar outros tempos tão mais felizes e completos. Não sabia como iriam ser estes dias sem aquelas mãos e aquela gargalhada, o café na lareira depois de tudo estar pronto e as conversas sobre a decoração da mesa de Natal.
O Natal passou, conseguimos fazer as fritas de abóbora e os bolos de bacalhau que nunca irão ter aquele sabor. Abrimos os presentes, fizemos o teatro do Pai Natal porque ser pequenino ainda é tão bom. O chá depois das barrigadas de comida, os jogos de cartas e da batota, fizemos tudo como sempre e para sempre. Mas nunca, nunca em tempo algum deixamos de nos lembrar, de recordar para dentro porque exteriorizar memórias podia ser perigoso. Não, o Natal não foi o mesmo, nunca irá ser o mesmo, nem sei se alguma vez aquele medo e aquele frio irá passar.
Ainda assim, fizemos para que fosse o melhor dos Natais possível, dedicamo-nos de alma e coração para que tudo corresse bem. Penso que o grande truque para fintarmos a saudade é este, dedicarmo-nos de alma e coração. Aos pequenos promenores, ao carinho, ao amor.
Espero que tenham passado um Natal bem bonito.



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O Natal da Taís (Irlanda), Lolla (Inglaterra),
Paula (Holanda) e Sara (Noruega).

 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

mantas e Rimbaud.

 Acabei de ler Rimbaud, enfiada no meio das mantas, a lareira a olhar para mim.

   «Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
     Fixava vertigens.
    Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas.
    Tentei inventar novas flores, novos astros, novas carnes, novos idiomas.»
                                                                                                      
 Estou de regresso. Com vontade de escrever estou de partida.


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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

de Zagreb, com beijinhos

Há cidades que são bonitas no verão, outras que são imperdíveis no inverno, há as que ganham vida com as flores da primavera e Zagreb é outono.
Um outono amarelo e cinzento, das folhas de mil e uma cores, das castanhas assadas na rua, do cheiro a alfazema, dos eléctricos quentinhos por dentro.
Dois dias em Zagreb é suficiente para subir e descer toda a cidade, ver pessoas bonitas nas ruas, entrar numa galeria de arte à borla só porque alguém foi simpático, encontrar um senhor na rua e que, do nada, nos dá um banho de cultura e história com um mapa meio rasgado na mão.
Dois dias, os Balcãs, outono, tanto riso e pouco siso. Touché!

Beijinhos, beijinhos croatas.



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Acerca de mim

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O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com