sábado, 29 de agosto de 2015

para sul

Desconfio que todo e qualquer sul cura males, previne constipações e aquece corações. Deve ser o sol. Ou o azul do mar. Deve ser o sol e o azul do mar, o ritmo compassado do tempo que desfila lentamente. 
Rumo a norte outra vez, com o coração cheio de sol e de azul, a magicar qual será o próximo sul.

E rimei!


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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Era uma vez Bruges

O relógio parou em Bruges, a única prova de que o tempo avançou são os milhares de smartphones a disparar sem sentido em todas as direcções.
Sem querer descurar tudo o que podemos ver em Bruges, as casinhas bonitas, os canais imaculados, as janelas deliciosas, as portas fotogénicas, os cantos e os recantos acolhedores ou tudo o que o turista das obrigatoriedades, exercendo o seu dever em relação ao turismo anseia, a cerveja meus senhores, a cerveja é boa que dói. Provem as milhentas cervejas que podem provar, sentem-se numa esplanada ou numa tasca com três mesas, conversem com um estranho e sorriam muito. A Bélgica vai ser boa para vocês.
E os cocheiros, esses, também são bons para qualquer vista cansada.


Ir, ir, ir
sempre foi o melhor remédio.


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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

a suavidade da indiferença

A suavidade da indiferença. Li isto algures, não me recordo onde ou o sentido da frase, assumo que havia uma frase- Há sempre uma frase. A suavidade da indiferença. A brandura do desprezo. A melodia da apatia. Quem disse que as palavras bonitas não fazem mal ao coração enganou-se redondamente. A suavidade da indiferença faz mal ao coração, gela almas, arrepia espinhas. A indiferença suave e instalada, a que vem para ficar mas que chegou sem avisar. A suavidade da indiferença repentina, talvez seja assim. Como os cortes de papel dos dedos, fininhos, suaves, dolorosos, persistentes e que nunca se sabe como aconteceram. São os piores. A indiferença fininha, dolorosa, persistente e suave, tão suave. É a pior.



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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Harvest Moon

Três fotografias completamente aleatórias acabadas de sair do meu jardim. A hera cá de casa, uma das muitas flores que nascem aqui ao pé de mim, a árvore do vizinho. O fim da tarde, sempre o fim da tarde. Sem qualquer propósito de retratar um momento especial, este é um momento como outro qualquer desprovido de grandes emoções ou extrema importância. Mas neste exacto momento, o Neil Young toca Harvest Moon e pareceu-me, por breves instantes, que a paz reinava no meu jardim. Talvez em mim. Ou talvez ainda não.

Ainda não.


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domingo, 9 de agosto de 2015

Ela escrevia cidades e declamava continentes

Ela escrevia cidades e declamava continentes. Ela sorria com as flores e perdia-se pelos mapas. Ela sonhava acordada e voava enquanto dormia. Ela achava que todos os lugares eram bonitos mesmo quando a beleza fugia de todos os lugares. Ela queria ser astronauta e tocar no topo da Terra com o dedo mindinho. Ela procurava o mundo e um mundo só dela.


Ela era assim.
Num outro tempo. Numa outra Era.


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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Paris Poetry

Like you I
love love, life, the sweet smell
of things, the sky blue
landscape of January days.

And my blood boils up
and I laugh through eyes
that have known the buds of tears.

I believe the world is beautiful
and that poetry, like bread, is for everyone.

And that my veins don't end in me
but in the unanimous blood
of those who struggle for life,
love,
little things,
landscape and bread,
the poetry of everyone.

Like You,
por Roque Dalton.




Um filme de Alex Soloviev..

E esta busca incessante pelas coisas bonitas já não me parece real em mim. A beleza de um poema, a suavidade de uma canção, uma manhã de mantas e a chuva lá fora. Nada, não me dizem nada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

gin tóxico

When I Drunk Text You

"There was that night I went to bed at 10:30 pm with an alarm set on my phone for only a few hours later.

2:15 am, Prince plays.
Because for some reason, I thought “Kiss” was a good song to use as my alarm clock.
And now, I flinch when I hear his high pitched groan.
2:15 am, Prince sings to me.

I will text you at 2:15 am so you think I am drunk.
So I can blame this inability to let go on a bottle of Jack
Or Captain
or Hennessy.
Anything.
2:17 you have texted me first.

I wonder if you set an alarm too.
I leave an extra letter to support my alibi of alcohol.
“I miss youu”
I miss you.

You say, “Remember that time I asked to hear your poetry?”
I say, “Which time?”
“You did it to my wall because you said looking at me made you nervous.”

It’s true.
Reciting poetry to the muse would make the bravest writer sweat.
“I liked when you did that. I like hearing your poems.”

My throat is closing.
There are too many words that want to escape, but it’s only my fingers that are speaking anyways.

You are out at a bar.
You make a joke about a girl.
I want to throw up and I have not been drinking.
You ask, “Have you found what you’re looking for? Are you ready to come back home?”

I guess I don’t respond quickly enough.
“You should come back.”

I throw my phone across the room.
And then apologize to no one.
2:45 you say, “Go to bed. You’re drunk.”
I tell you I’m not really that drunk.
But you are the worst hangover I’ve ever had."



in Thought Catalogue.

 
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domingo, 2 de agosto de 2015

os Himalaias vão sempre lembrar-me de ti

Doem-me as costas. Gostava de te dizer que me doem as costas. Tão simples e mundano quanto uma dor de costas pode ser. Doem-me as costas e os Pirenéus estão por baixo de mim. Ias ter medo se visses, ias morrer de medo, está tudo bem, apetece-me dizer-te ao ouvido, o teu lugar é longe dos Pirenéus. O meu lugar é ainda mais longe dos Pirenéus. Lembras-me mais os Himalaias, os Himalaias vão sempre lembrar-me de ti.
Doem-me as costas. Muito, juro. Dói-me o coração. Muito, muito, juro.

Endireita as costas, dizes-me. Ficas mais alta.



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terça-feira, 21 de julho de 2015

prelúdio

"Estas noites estranhas têm entrado pelos dias adentro.
Os olhos cheios de sono, os olhos irritados pelo rímel, pelo eyeliner (tornei-me alérgica à beleza), os olhos vermelhos do pó, do ecrã, do pólen.
Demasiadas noites estranhas umas a seguir às outras. Sou demasiado permeável. Mesmo quando não chove, continua a chover. Se não és tu é outra coisa qualquer.
Irritam-me os telefones - nos filmes como na vida real.
Dói-me o choro dos outros, mesmo o dos desconhecidos, dói-me o meu choro (quando tenho e quando não tenho razões para chorar).
Os amigos novos, os amigos antigos, os amigos novos e os amigos antigos, todos juntos, como se o tempo tivesse deixado de fazer sentido, tivesse deixado de ser linear.
Demasiadas vezes esta sensação de estar a ver a minha vida de fora, demasiadas vezes a pairar sobre o meu corpo, sobre o teu corpo, sobre coisas tão insignificantes como os semáforos ou os cruzamentos. E sentir que tudo é demasiado real. E sentir que nada é suficientemente real.
Ao mesmo tempo."


não faço ideia 
de onde veio.


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terça-feira, 14 de julho de 2015

carta aberta ao desapego

desapego | s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de desapegar

de·sa·pe·go |ê|

substantivo masculino

1. Facilidade em deixar aquilo a que se tinha apego.
2. Indiferença, desinteresse.



Desapego. Desapego. Desapego.
Ainda não chegou o outono e tenho andado a pensar no desapego. Falo no desapego. Falo no desapego como falo de amor. Como se o desapego e o amor fossem duas flores do mesmo caule, da mesma raiz, da mesma terra.
As flores do mesmo caule podem não ser detalhadamente iguais, podem não ter as pétalas igualmente perfeitas, pode até, uma ser mais forte do que a outra. Mas as flores do mesmo caule têm a mesma raiz, o mesmo vaivém de vida, o mesmo nome. Flores do mesmo caule, é assim que decido chamar-lhes. Ou hortênsias, hoje apaixonei-me por hortênsias.
Não, o desapego e o amor não coabitam, não bebem a mesma água, não apanham o mesmo sol de primavera nem aquela chuva miudinha de início de outono.
O amor é uma coisa. O desapego é outra, a muitos caules de distância.
O despego é desamor. O desapego é desafeição. O desapego é fácil. O desapego é a concha mais feia de uma praia deserta de amor, é o abrigo do desabrigo. O desapego é cobarde, o desapego é desinteressante.
O desapego nunca, em tempo algum, pode fazer parte do amor. Não do meu, não dos vossos.
Uma vez uma amiga do coração disse-me Rita, é a saudade que move o amor. Acredito nisto.
Não tenho medo da saudade. O desapego gela-me a alma. Mil dias de saudades, a um segundo desse desapego fácil e indiferente àquilo que um dia foi o nosso regaço.
Seja pelo que for. Pelo facilitismo ou por parecer um lugar mais seguro e confortável do que a saudade, o desapego não, por favor.
Se o amor é para ser, então que seja com tudo. Com os dias feios, as palavras menos bonitas, as horas desencontradas, as saudades infinitas, os quilómetros que mais parecem fitas métricas a apertarem-me o peito, a chuva, a trovoada. Pode até ser com neve, ninguém disse que o amor era fácil.
Acredito no amor como uma perfeita imperfeição. Sublinho imperfeição, porque nada neste mundo é perfeito.Talvez as hortênsias brancas sejam perfeitas, parecem-me perfeitas daqui. Ou talvez não, talvez nem as hortênsias sejam perfeitas, quem sabe se as perfeitas imperfeições não fazem delas ainda mais bonitas. Isso é outra história, uma história de hortênsias, não uma história de amor.
As histórias de amor não se escrevem com desapego. Talvez com hortênsias brancas perfeitamente imperfeitas.
Aposto nisso. E eu nunca resisto a uma boa aposta.



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terça-feira, 7 de julho de 2015

a Catarina

"Mamã, quando for grande quero trabalhar, viver sozinha e ser mãe solteira de um porco."
Catarina, cinco anos.

in A Máquina de Fazer Espanhóis,
de Valter Hugo Mãe.

Gostei da Catarina de imediato.



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domingo, 5 de julho de 2015

vagebond

ócio, para que te quero.

Uma vez li algures qualquer coisa como, "não tenho bem a certeza se quero mais disto, mas certamente que quero um bocadinho daquilo".  
Não há preto nem branco neste frase, é por isso que gosto dela. Não vem carregada de definições e certezas, não trás agarrado o pretensioso bem e o igualmente pretensioso mal.
Repito, não há preto nem branco. Que aborrecido é o preto e o branco, ou o branco no preto. Ou o preto no branco, ou como preferirem dizer. 
É sim como aquelas caixas bonitas de lápis de cor, que cheiram a sonhos e a madeira. Há incertezas que são deliciosas e indefinições que não têm que ser definidas. Há o azul, o amarelo, o verde, o cor-de-laranja e o lilás. Hoje podemos ser vermelho, amanhã talvez sejamos rosa. Porque não?
O tempo, esse, é demasiado curto para que seja tudo branco ou preto. Ou preto no branco. Ou branco no preto. Ou tudo o que não seja aquela caixa de lápis de cor bonita com cheiro a sonhos e a madeira.
Hoje toda eu sou azul e não tenho bem a certeza se quero mais disto. 
Amanhã não sei se serei lilás, mas certamente que vou querer um bocadinho daquilo.




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quarta-feira, 1 de julho de 2015

uma manhã como outra qualquer

 esta é uma não-história de uma manhã
 como outra qualquer

Manhãs de verão, de café, de torradas com manteiga, manhãs de livros e de flores.
Pensamentos profundos à parte, uma manhã como outra qualquer. O sol queima-me as pernas, o gelo derrete com o sumo de toranja, o livro vai a meio, as abelhas e as flores continuam a sua história de amor.
Ponto final. Parágrafo.
Uma manhã como outra qualquer.



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Acerca de mim

A minha fotografia
O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com