quarta-feira, 16 de Abril de 2014

avisos e outras rosas

Aviso:

Nunca, em situação alguma, se deve desvalorizar uma rosa. As rosas são solenes, as rosas dizem mais que as palavras, as rosas são rosas porque um dia alguém não soube o que dizer, as rosas são perigosas, as rosas são matreiras.
Acho que nunca gostei muito de rosas.




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segunda-feira, 14 de Abril de 2014

um pequeno regresso

Mais uma vez, perdoem-me. Perdoem-me as ausências, perdoem-me a falta de atenção às minhas queridas meias noites.
Perdoem-me.
Não é a falta de tempo, não é o excesso de tarefas, não é a correria dos afazeres. Tenho o todo o tempo do mundo, tenho tempo a mais, sobre-me tempo em  todos os meus bolsos, em verdade em verdade vos digo que tempo é coisa que não me falta.
Mas faltas-me tu. Faltas-me há oitenta e cinco dias. Não preciso de contar, sei exactamente há quantos dias me faltas. Não preciso de calendários, de lembretes, de agendas, faltas-me há oitenta e cinco dias, um dia tem vinte e quatro horas, uma hora tem sessenta minutos, um minuto tem sessenta segundos. Esta é a equação das minhas saudades tuas. É simples, directa, precisa. Tal como nós eramos. E eramos tanto, tão bonitas as duas, tão simples.
Há oitenta e cinco dias que o azul já não é tão azul, que o amarelo das mimosas já não me parece tão bonito como dantes, que o café lá de casa nem parece café, que os nossos domingos já não são nossos. E eu que tenho tantas saudades dos nossos domingos. As fotografias já não me parecem bonitas como dantes, vê lá tu, as fotografias, as fotografias que sempre foram o meu lugar preferido. Falta-me a inspiração, faltam-me as tuas mãos para fotografar e eu lembro-me e hei-de sempre lembrar como tu detestavas que te fotografasse, tu que eras tão bonita, a princesa da delicadeza. Dizem os que de tudo percebem, que o tempo é nosso amigo e que com os dias, as horas e os segundos tudo acaba por voltar ao normal. Que o choque dá lugar à raiva, que
a raiva dá lugar à tristeza, que a tristeza dá lugar à saudade. É assim?
Os domingos regressam devagarinho, já não são nossos, já não são teus, já não são como dantes e nunca serão como dantes. Mas ainda assim são domingos, com breves laivos de beleza, carregados de saudade.
Tinha saudades de fotografar e ainda que não me parecam tão bonitas como dantes, como diz a canção enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar.



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quarta-feira, 26 de Março de 2014

demasiada, demasiada, demasiada

Demasiadas, demasiadas, demasiadas, demasiadas páginas em branco.
Demasiadas histórias inacabadas, demasiadas vírgulas, demasiados ses, demasiados silêncios prolongados, constragedores, inócuos.
Demasiados, demasiados, demasiados.
Usar e abusar de demasiado, ando a usar e a abusar do demasiado. Como se a palavra fosse solene, bonita, reconfortante. Não é. Demasiado, demasiada, toda a fealdade está aqui.
Demasiada gente, tão poucas pessoas. Tão pouco amor. Sem pensar muito, é capaz de ser isto.
Demasiada. Demasiada. Demasiada.



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terça-feira, 25 de Março de 2014

as coisas mesmo bonitas VII | Flo

(Perdoem-me as ausências, chove muito por aqui...)


Terça-feira, coisas bonitas e fotografia. Não podia ser melhor, podia?
Hoje mostro-vos a história de Flo Fox, uma fotógrafa nova iorquina. Flo nasceu cega cega de um olho, mas isso não a impediu de descobrir a fotografia. Aos vinte e seis anos comprou a sua primeira máquina fotográfica e começou uma carreira como fotógrafa. Aos trinta descobriu que tinha esclerose múltipla, há uns anos foi-lhe diagnosticado cancro no pulmão e com o passar do tempo perdeu grande parte da visão no seu outro olho.
Apesar de tudo isto, Flo continuou. Continuou a tirar fotografias, continuou a fazer o que mais gosta. Hoje, Flo é tetraplégica, move-se pelas ruas de Nova Iorque com uma cadeira de rodas, ensinou a sua ajudante a tirar fotografias e dá-lhe indicações sobre a fotografia que quer tirar.
Esta é a história de uma mulher forte, daquelas mulheres de quem eu gosto tanto, de espírito livre, inteligência afiada, de peito cheio para o mundo.


Acredito que este dom, esta maravilha da fotografia nasce connosco, é-nos intrínseco e que se assim o é não há nada, adversidade alguma, que nos possa impedir de olhar, sentir, enquadrar, o click. E já está. A magia acontece.

Espero que gostem.





Curta de Riley Hooper.

Mais sobre Flo Fox, aqui e aqui.

terça-feira, 18 de Março de 2014

as coisas mesmo bonitas VI | António

"António é uma personagem de um romance 
que está a ser escrito e vivido."


Terça-feira número seis, é dia de António e dos seus guardanapos. O projecto Eu me chamo António é o verdadeiro almanaque (e como adoro almanaque) das coisas bonitas.


"Frequentador assíduo de bares, ele despeja comentários sobre a vida — as suas alegrias e tristezas — em desenhos e frases escritas em guardanapos, com grandes doses de irreverência e pitadas de poesia. António é perito nas artes do amor, está sempre atento aos detalhes dos encontros e desencontros do coração. Quando está apaixonado, sente-se nas nuvens e nada parece ter maior importância, e, quando as coisas não saem como esperado, é capaz de enxergar nas decepções uma aprendizagem para seguir adiante. Do balcão do bar, onde António se apoia para escrever e desenhar, ele vê tudo acontecer, observa os passantes, aceita conversas despretensiosas por aí e atrai olhares de curiosos. Caso falte alguém especial ao seu lado (situação bastante comum), António sempre se acomoda na companhia das muitas cervejas pela madrugada."


Os guardanapos de António ou Pedro Gabriel, o verdadeiro nome do autor, já estão compilados em livro, e tenho a certeza que deve ser delicioso. Para mim, será sempre o querido António.
É ou não é bonito?


Mais sobre Eu me chamo António, aqui.
Fotografias, daqui.
E textos maravilhosos, aqui.


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domingo, 16 de Março de 2014

para não sei quando

Uma série de flores bonitas, as minhas preferidas, um bocadinho de primavera, muito azul, uns apontamentos de rosa, e o resto não sei.

parar: pensar
parar
controlar
não falar
3 dias: ficar
organizar
começar
ler
afastar
não matem a cotovia
reforçar
melhorar: insistir
desistir
recomeçar
aprender
fotografar
investigar
pentax
deixar

viver


Não sei de nada, 
continuo sem saber de nada.


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terça-feira, 11 de Março de 2014

as coisas mesmo bonitas V | cartas a paris

Do meu querido Carlos Soares, esta terça-feira das coisas bonitas pertence-lhe. Estas cartas a paris, este pequeno refúgio onde todas as palavras são gigantes, dos meus lugares favoritos. E são tantas e tantas as vezes em que tudo o que eu quero dizer está aqui, imaculado, claro, tão simples. Tão bom.
Espero que gostem, é mesmo dos bons.
 
"o que vês quando fechas os olhos, o que esqueces?



quero acreditar que tudo foi real, que fomos mesmo, que me deste mesmo a mão naquela rua, em todas as ruas, que houve sorrisos e orgasmos e sorrisos entre os orgasmos e lágrimas e música entre os gritos. que o amor foi real e foi febril, embora eu não goste da palavra, que houve história, que eras tu quem eu via adormecer ao meu lado, que era eu quem te via adormecer, que eu era mesmo eu e era quem tu vias ver-te adormecer.



sinto a tua falta e quero tanto crer que sinto a tua falta, 



sinto a tua falta, mas o vazio já cá estava.



e escrevo-te porque sinto a tua falta. sinto a tua falta e escrevo-te porque sinto a tua falta e porque não te resolves a morrer nunca, porque decides sempre ficar mais um bocadinho.



e podias ter ficado. e podias ter insistido. e não precisavas sequer de ter insistido muito: um pequeno gesto: uma palavra feliz: a breve aparição de uma lágrima.



e podias ter ficado e talvez os meses tivessem nomes de gente ou de cidade: maio teria sempre o teu nome, como barcelona, e agosto o teu nome e fevereiro seria sempre o nosso primeiro fevereiro, e não uma cidade queimada, uma rua sozinha, um cinzeiro abandonado.



esta impossível mania da idade. este esquecimento que não chega.



nunca te menti. ou nunca te menti depois do sexo. e nunca te menti depois de abraçar. nunca te menti naquela fotografia. não te minto. quem parte não tem mentiras para deixar.  tudo é não saber dizer: talvez eu não fosse para ti,



mas lembras-te que éramos felizes? "


Carlos Soares 


Muita, muita saudade.

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segunda-feira, 10 de Março de 2014

digo-te olá, querido março

Agora com calma. Inspiro, expiro. Respiro.
Agora com calma, da minha varanda, digo-te olá querido março.
Seis, seis e pico, eu na minha varanda, este pequeno na árvore aqui da frente, a sua varanda de eleição talvez, a vida dos pássaros não me diz respeito. Espio um bocadinho, intrusa, metida, mirone, a vida dos pássaros não me diz respeito, ele está pronto para a fotografia, a luz é toda dele, não resisto.
Agora com calma, da minha varanda, seis, seis e pico, eu e este pequeno. Digo-te olá querido março.
Digo-te olá e tantas outras coisas, numa pequena conversa secreta, digo-te tudo digo-te sempre tudo, querido março.
Sê bonzinho, por favor.




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terça-feira, 4 de Março de 2014

as coisas mesmo bonitas IV | Estas fotografias de Lisboa

Irei ser breve hoje, nesta terça-feira das coisas bonitas.
Mostro-vos uma deliciosa série de fotografias de Lisboa, através da lente dos maravilhosos de Kitchener Photography, Joanna e Dylan. E isto meus senhores, tal como todas as outras fotografias  deste casal giro, é pura inspiração.


E apetece-me tanto Lisboa.




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Acerca de mim

A minha fotografia
O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com